Quinta-feira, Outubro 28, 2010

Galeria do Ouvidor

Para quem não conhece, a Galeria do Ouvidor em Belo Horizonte é um lugar no centrão da cidade onde acha-se de tudo, principalmente tudo relacionado com artesanato, trabalhos manuais etc. Qualquer missão feita à mão que você tenha, a Galeria é a resposta, mas como nem tudo são flores, ir à Galeria é o mesmo que bater na porta do inferno e pedir um tour.

Primeiro problema, chegar lá. Quando eu digo centrão da cidade, eu quero dizer no meio daquele formigueiro de gente, com vendedor procurando cliente no grito, 800 linhas de ônibus na mesma rua e pedestre sem senso de direção e nem luz de freio. Adiciona-se o fato de que há prédios para todos os lados e não passa uma brisa. Ir de ônibus nem pensar. Já tentou pegar ônibus com uma placa de isopor, 18 metros de tecido, 15 quilos de miçangas e 35 potinhos de tinta? Pois é, aí sai o carro da garagem em direção ao hipercentro, sai no tapa por uma vaga em um estacionamento que cobra mais pela hora que o seu analista e que ainda fica longe do seu destino, porque aquele do lado é só para mensalista, claro!

Finalmente você chega. Aí vem o segundo problema, tem de tudo mas em qual loja? Qual piso? Tem alguém para informar? O site anuncia um mapa de lojas, um diretório com todos os estabelecimentos e uma ferramenta de busca por produtos. Seria lindo se o site não estivesse em construção desde quando o Bill Gates ainda não usava óculos. Já que não tem site, vai o balcão de informações então. Ah, me esqueci, também não tem. Fica a opção de andar sem rumo por horas até conseguir achar tudo o que quer ou encher o saco de cada vendedor que você encontra com perguntas do tipo: "eu sei que você trabalha só com bijuteria, mas será que você sabe onde eu encontro feltro?" Com sorte a informação aparece, mas o mais comum é: "Não, o que é isso?"

Quando você finalmente localiza o lugar que vende o que você precisa, começa outra odisséia. Porque comerciantes da Galeria têm duas, três lojas minúsculas entupidas de produtos até o teto no mesmo prédio em andares diferentes? Calor humano deve ser pré-requisito para um negócio de sucesso porque quanto menor o espaço da loja, maior o número de clientes.

E eu ainda tenho um dom, vou à Galeria uma vez a cada ano e parece que sempre acerto o dia da excursão da casa de repouso. No dia da excursão, o guia avisa: leve uma bolsa grande para carregar as compras. Eu queria saber onde elas guardam aquelas bolsas do tamanho de um bezerro durante o resto do ano. Naquilo cabem as compras, uma refeição completa, todas as revistas com as fotos dos produtos, a lista de compras, leque, água e até a própria velhinha caso esfrie o tempo.

Agora combine as bolsas, as velhinhas e as micro-lojas. Chegar perto do balcão é tarefa para contorcionista. E pior, com o meu poder de adivinhação acerto não só o dia da excursão, mas a loja e o produto que as visitantes querem também. Da última vez achei que iria apanhar da velhinha porque atrevi me aproximar da banca de guardanapos de decoupage.

Depois de toda essa batalha, a escalada de volta ao seu veículo, guardar tudo no porta-malas, pegar um trânsito infernal para casa, o último problema: chegar em casa e perceber que você esqueceu de colocar uma coisinha na sua lista e amanhã vai ter que fazer tudo de novo.

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